::. RICARDO AIALLA .::

Ricardo Aialla

Ricardo Aialla.

Fotógrafo e Baiano.

Suas fotos fazem o maior sucesso por sua autenticidade e estilo.

Diferente do habitual, Aialla conquistou a Paraíba por sua competência e capacidade de inovar quando o assunto é fotografia.

Conheci o Ricardo através de um outro Baiano, o Fabio. Desde então, acompanho sua carreira através de revistas, blogs e amigos que requisitam o profissional.

Muito sucesso, Aialla! E obrigada por ceder um pouco do seu tempo a esse blog. Obrigada!

JORDÉLIA: Quando foi que você se deu conta que iria viver da profissão “fotógrafo”?

RICARDO AIALLA: Ainda na época da Faculdade, já era assistente de um fotógrafo em Feira de Santana, acompanhava ele nos eventos e em seu estúdio.  Logo quando cheguei em Guarabira, não vi por onde me manter, ainda que o custo de vida fosse relativamente baixo, eu precisaria de algum para o meu sustento, assim  aquele fotógrafo para quem eu dava assistência, Franz Reuter, me presenteou com uma de suas máquinas, e me disse: “você com seu talento e sua perseverança vai conseguir muito sucesso”. Eu dei risada e falei, que só queria a fotografia pra manter meus estudos. Porém, a coisa tomou outro rumo, a aceitação exacerbada do meu trabalho naquela cidade, fez com que eu me apaixonasse cada vez mais pela arte e desinteressasse pelo Direito. Assim, quando me dei conta a fotografia, que eu digo “é viciante”, me deixou totalmente apaixonado por ela.

JORDÉLIA: Você fez 10 anos de carreira. Conte-nos um pouco sobre sua trajetória?

RICARDO: Minha vida como fotógrafo é um verdadeiro passeio. Faço com paixão, com amor, e quando esses dois ingredientes estão presentes na sua atividade, o reconhecimento é irremediável. Logo quando comecei, senti um pouco de preconceito de alguns colegas e até por parte de familiares, e isso foi terrível, pois como seria possível, um cara que ia se formar em Direito, tendo uma variedade imensa de caminhos a seguir, pois o Advogado tem um leque de opções a seguir. Por que esse cara seria Fotógrafo? Mas eu deixei meu coração falar mais alto e aceitei as gozações e brincadeiras, de uma pequena parcela de pessoas que me cercava. Uma vez, quando comentei isso com Melquíades (um lojista no ramo), ele me aconselhou a debater falando: sou fotógrafo com muito amor e orgulho. E aquela frase que ouvira se tornou meu lema, foi o começo a parte mais difícil da minha carreira.

http://www.ricardoaialla.com/blog/

JORDÉLIA: Você fez o curso de Direito, no campus de Guarabira. Quando você foi cursá-lo tinha pretensões de praticar alguma profissão do ramo do Direto? Como foi essa experiência e como você conciliou o curso e a profissão de fotógrafo?

RICARDO AIALLA: Tinha vários sonhos, como todo acadêmico, de qualquer curso. No início queria seguir no Direito Penal, porém depois me deixou muito intranqüilo como seria minha vida pessoal seguindo esse ramo do Direito. Costumava-se dizer que quem se apaixona pelo crime casa-se com o Civil. E assim foi, quando comecei a fotografar, só tive sortes, primeiro, os eventos são sempre nos finais de semanas, e a noite. E quando eu precisava viajar pra fazer eventos fora do estado, eu contava sempre com a ajuda dos Mestres, que pareciam pressentir esse cara vai ser é fotógrafo, isso sim!!

JORDÉLIA: Como foi que se deu a sua vinda da Bahia até o Estado da Paraíba? Você já fotografava lá, antes de vir para cá?

RICARDO AIALLA: Era assistente de um grande homem, de caráter e condutas ilibadas, que além da fotografia, me ensinou muitas coisas em relação ao mercado e a vida, até hoje somos muito ligados, nossas esposas são irmãs, e pelo menos nos vemos 4 a 5 vezes por ano. E ainda passamos férias juntos.

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JORDÉLIA: Ricardo, você acaba de participar Wedding Brasil, considerado o maior congresso de fotografia de casamento da América Latina. Conte-nos como foi sua passagem por esse grandioso evento. E o que trouxe de inovador (se não for segredo).

RICARDO AIALLA: Esses Congressos são ótimos, pra mim funcionam como descanso,  é quando eu tenho a oportunidade de encontrar meus colegas de outros Estados, e amigos da Bahia, é uma verdadeira farra pra mim. Quanto ao aprendizado, é muito útil, em especial, pra quem estar começando, eu particularmente aprendo mais nos bate papos que tenho com as feras que ficam circulando pelos corredores, enquanto as palestras acontecem. Mas é muito bom, você volta renovado. O único senão é que eles não são tão animados como eram os Congressos de Direito.

JORDÉLIA: Existe alguma fotografia em especial, que você através dela se veja ou que seja um marco para a sua carreira? Qual?

RICARDO AIALLA: Pergunta difícil, as imagens que o fotógrafo registra, são como suas filhas….não pode ter preferidas, em cada evento, em cada momento de trabalho, cada vez que a gente sai pra clicar, temos assim uma imagem preferida, aquela foto, “que grita” querendo sair do papel. Mas talvez a que mais me marcasse, foram as praças que fotografei em Guarabira, assim que cheguei, e as expôs, todo mundo adorou, porque eram feitas ao entardecer ou à noite, no lusco-fusco, coisa que ainda nenhum profissional tinha feito naquela cidade.

JORDÉLIA: Existiu algo de essencial a sua trajetória, que sem esse algo não seria possível tal prestigio que você tem hoje em sua profissão e aqui em nossa região, fora sua garra e dedicação?

RICARDO AIALLA: Primeiro agradeço a Deus, por me dar forças e me cercar de pessoas que tanto me fizeram crescer. Pois sem essas pessoas que me pegaram no colo e me conduziram por onde eu devia ir, talvez eu não tivesse alçado um vôo tão alto assim. Em Guarabira, Alzinete, que tinha uma doceria Pedaço do Céu, hoje está em JP. Ao Zenóbio Toscano e à Família Guaraves, que ao se tornarem meus clientes, se tornaram meus incentivadores nessa profissão. Em João Pessoa, Wendel Rodrigues um florista que me presenteou com um estande no Shopping Manaira num evento de Casamento, foi minha primeira exposição em JP, sucesso tão grande que nossos Álbuns foi motivo de reportagem na TV da capital. Também a Socorro Medeiros, uma cerimonialista, que na época, comandava a cidade. O interessante e mais marcante,  essas pessoas eu não tinha relacionamento comercial, fora criado verdadeiros laços de amizades. E até hoje, tem uma pessoa que me carrega no seu colo, que é minha esposa Helda Bastos, a quem devo grande parte do meu Sucesso, pois sem a sua presença me aconselhando, me alertando pros perigos, eu não teria esse prestígio e esse reconhecimento que alcançamos.

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JORDÉLIA: Hoje, o que é fotografar para você?

RICARDO AIALLA: Como dizia Bresson,

“fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”

Acho que não preciso mais completar, fotografar é TUDO.

Conheça mais sobre o trabalho do Ricardo Aialla:

http://www.ricardoaialla.com/

http://www.ricardoaialla.com/blog/

twitter: http://twitter.com/ricardoaialla

E com muito orgulho apresento-lhes: CLÓVIS JÚNIOR!

Criador e criatura. Clóvis Júnior e sua obra.

Criador e criatura. Clóvis Júnior e sua obra.

Clóvis Junior, Guarabirense radicado em João Pessoa.

Clóvis Junior, Guarabirense radicado em João Pessoa.

Clóvis Júnior nasceu na cidade de Guarabira – PB, meu conterrâneo, radicado em João Pessoa, onde veio morar desde os 17 anos de idade. O artista trabalha com pinturas, esculturas e gravuras. Sua primeira participação como artista plástico foi no ano de 1983, aos 18 anos de idade. Em 1985, ingressa no curso de educação artística – UFPB. Faz curso de gravura, Prof. Hermano José, UFPB.

Clóvis Júnior nasceu na cidade de Guarabira – PB, radicado em João Pessoa, onde veio morar desde os 17 anos de idade. O artista trabalha com pinturas, esculturas e gravuras. Sua primeira participação como artista plástico foi no ano de 1983, aos 18 anos de idade. Em 1985, ingressa no curso de educação artística – UFPB. Faz curso de gravura, Prof. Hermano José, UFPB.

Dono de muitos prêmios, Clóvis Júnior se destaca com premiações de 1° lugar em diversos concursos pela ONU em 1993. Contando no seu currículo com 35 exposições individuais no Brasil e no mundo e mais de 50 exposições coletivas e salões. Há outra série de exposições coletivas e participações na Bienal Naifs do Brasil, em São Paulo; Exposição Bikoo-kem(Eco 92), no Rio de Janeiro. Para nosso orgulho, Clóvis está entre nós, criando e se inspirando na Paraíba, mas já se tornou um fenômeno nacional. De 1983 até hoje, soma em seu currículo uma lista de 16 exposições internacionais, destacando-se trabalhos realizados na Flórida, Nova York, Washington, Ovar, Paris, Buenos Aires, Alemanha, Itália, Londres, entre outras. Hoje, o artista tem trabalhos publicados em livros importantes como “Brazilian Knotd – Embaixada do Brasil – Londres”; “Brasilian Art – São Paulo”; participou de vários livros de Bienal Naifs do Brasil; “XXVIII Anuário do Clube da Criação de São Paulo”; “10 Anos do Centro Cultural Correios – Rio de Janeiro”.

Dono de muitos prêmios, Clóvis Júnior se destaca com premiações de 1° lugar em diversos concursos pela ONU em 1993. Contando no seu currículo com 35 exposições individuais no Brasil e no mundo e mais de 50 exposições coletivas e salões. Há outra série de exposições coletivas e participações na Bienal Naifs do Brasil, em São Paulo; Exposição Bikoo-kem(Eco 92), no Rio de Janeiro. Para nosso orgulho, Clóvis está entre nós, criando e se inspirando na Paraíba, mas já se tornou um fenômeno nacional. De 1983 até hoje, soma em seu currículo uma lista de 16 exposições internacionais, destacando-se trabalhos realizados na Flórida, Nova York, Washington, Ovar, Paris, Buenos Aires, Alemanha, Itália, Londres, entre outras. Hoje, o artista tem trabalhos publicados em livros importantes como “Brazilian Knotd – Embaixada do Brasil – Londres”; “Brasilian Art – São Paulo”; participou de vários livros de Bienal Naifs do Brasil; “XXVIII Anuário do Clube da Criação de São Paulo”; “10 Anos do Centro Cultural Correios – Rio de Janeiro”.

FONTE: www.clovisjunior.com.br


Prêmios e Salões

  • 2008: Comenda “Gente que faz a nossa Paraíba”, Guarabira, PB.
  • 2008: Medalha Honorífica Osmar de Araújo Aquino, Guarabira,PB.
  • 2007: Medalha Augusto dos Anjos, Assembléia Legislativa da Paraíba, João Pessoa, PB.
  • 2006: Participação do Livro Artistas Brasileiros, Senado Federal, Brasília, DF.
  • 2006: Título de Cidadão Pessoense, João Pessoa, PB.
  • 2006: Bienal Naïfs do Brasil, São Paulo, SP.
  • 2005: Participação do Livro Brazilian Art, São Paulo, SP.
  • 2005: Artista paraibano selecionado para compor Calendário 2005, CHESF, João Pessoa, PB.
  • 2004: Bienal Naïfs do Brasil, São Paulo, SP.
  • 2004: III Bienal Internacional de Gravuras, Jundiaí, SP.
  • 2003: XXVIII Anuário do Clube de Criação de São Paulo, SP.
  • 2003: 10 anos do Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, RJ.
  • 2000: XV Noite da Cultura da Paraíba, Menção Honrosa, João Pessoa, PB.
  • 2000: V Bienal Naïfs do Brasil, São Paulo, SP.
  • 1997: Lendas e Crenças: Mostra Itinerante de Arte de São Paulo, SP.
  • 1996: Bienal Naïfs do Brasil, Piracicaba, SP.
  • 1996: 1° Salão Mercosul de Arte Sacra, Grande Menção Honrosa, Buenos Aires, Argentina.
  • 1996: Troféu Paraíba Artista Plástico do Ano, João Pessoa, PB.
  • 1993: 1° Lugar no Concurso Nacional de Cartazes Contra as Drogas, Promovido pela ONU, Brasília, DF.
  • 1992: Mostra Internacional de Arte Ingênua e Primitiva, Menção Honrosa, Piracicaba, SP.
  • 1990: 3° Lugar no Concurso Listel/Telpa, Catálogo Telefônico da Paraíba, PB.
  • 1987: 1° Lugar no Concurso Listel/Telpa, Catálogo Telefônico da Paraíba, PB.
  • 1986: Salão Cenas da Cultura Popular, Piracicaba, SP.
  • 1985: A Presença do Mar nas Artes Plásticas, Galeria Pedro Américo, João Pessoa, PB.
  • 1985: Prêmio Aquisição Salão São João, Galeria Pedro Américo João Pessoa, PB.
  • 1985: VI Salão Municipal de Artes Plásticas, (artista convidado), João Pessoa, PB.
  • 1983: XXXVI Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, Recife.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Clóvis_Júnior

Obra do artista plástico Clóvis Junior.

Obra do artista plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

A entrevista a seguir foi  retirada do site:  www.brazilianartists.net :

Londres fica mais colorida neste verão

A arte de Clóvis Júnior arde e encanta brasileiros apaixonados por sua terra natal.

Por Georgia Martins*

O suspiro alto e a alegre surpresa foram minhas primeiras reações ao ver o colorido dos quadros de Clóvis Júnior na Galeria 32 da Embaixada Brasileira em Londres. Artista plástico há 20 anos, o poeta das telas Clóvis Júnior nos recebe com a mesma beleza e simplicidade que vemos em seus quadros. Seguidor e expoente brasileiro da arte naïf, acostumou-se a fazer exposições internacionais, principalmente após ter recebido o primeiro prêmio no Concurso Nacional de Cartazes promovido pela ONU em 1993, tendo seu trabalho divulgado em mais de 150 países. Suas últimas exposições passaram por Portugal, Alemanha, Milão, Nova Iorque, Paris, entre outros. Em Londres, apresenta até o dia 26 de junho a exposição Magic Paintings, seguindo depois para a Embaixada do Brasil em Berlim.

A explosão de cores característica de seu trabalho retrata, como ele mesmo define, um Cordel colorido. Paraibano e morador de João Pessoa, tem muito a mostrar sobre nossa cultura nordestina.

A cultura naïf tem origem na França pelos pincéis de Russeau, que registra então as primeiras marcas de uma arte ingênua, primitiva, natural, como é definida. Pintar a fauna, o meio ambiente e o folclore, com incursões sociais no meio do caminho também são traços marcantes da pintura naïf.

Leia abaixo entrevista exclusiva concedida por Clóvis Júnior ao www.BrazilianArtists.net para o jornal Brazilian News.

BA: Há uma citação de Jorge Amado sobre a pintura naïf em que ele disse o seguinte: “Sou daqueles que acham que a única pintura brasileira que possui caráter realmente nacional e se expressa numa corrente de nossa cultura mestiça é a pintura naïf, ingênua, primitiva – cada um escolha a designação que lhe pareça melhor”.

Depois do pai da palavra nordestina eu quero saber de você. A arte naïf não é uma arte de origem brasileira mas podemos dizer ser a mais brasileira das artes?

Clóvis: Eu considero a mais brasileira das artes por que a gente vê a nossa cultura nela. A pintura naïf representa muito bem os nossos povos, nossos costumes, nossas festas folcloricas, quer dizer, tem uma identidade e força muito grande por que representa diretamente os movimentos que acontecem no país e o pintor é um repórter clássico, ele reproduz aquilo que vê pras pessoas poderem ver tambem.

BA: Podemos dizer então que é uma arte popular com tendências folclóricas. Voce acredita que essa é uma característica da pintura naïf em geral ou pintar o folclore é uma contribuição essencialmente brasileira nesse estilo de arte?

Clóvis: O folclore é uma fonte de inspiração tamém para a pintura naïf, não que ele seja obrigado a pintar somente isso, a arte naïf é livre. Eu por exemplo prefiro pintar o lado bom da vida, a alegria, a harmonia, o bem estar do ser humano. De violência já basta o que a gente vê na televisão. Claro que o artista pode mostrar o que quiser mas eu prefiro pintar o lado bom da vida, acho que o espírito é esse.

BA: E a questão da crítica social percebida em seus quadros, como você a retrata?

Clóvis: Pintei uma vez um dragão caindo no Congresso em Brasilia e um político da minha cidade quando viu o quadro ficou chocado por que ele não entendeu a mensagem e nem eu quis dizer a ele o que era. A mensagem está no que você pensa, né? Um outra vez pintei um quadro do bando de Lampião chegando no Congresso com os políticos corruptos atrás.O quadro não era assim agressivo mas tinha também uma mensagem política que não é direta, ela é surrealista. Meu trabalho tem muito disso, esse surrealismo, essa coisa meio fantástica, de ilusão, do imaginário. Não estou diretamente ligado à pintura tradicional naïf de pessoas do interior, gosto de trabalhar com o surrealismo de quebrar as figuras também. Por exemplo, criei uma vez um Lampião montado em um cavalo marinho. Se eu tivesse feito um cavalo comum seria mais um pintado, mas eu fiz ele vir em uma outra forma, em uma outra roupagem. Na minha imaginação ele foi à Brasilia assim, com uma festa grande atrás dele.

BA:O historiador brasileiro Jose Pierre afirma que o artista naïf se mantém sempre como um “primitivo de épocas futuras”. Voce concorda? Qual o futuro da pintura naïf brasileira?

Clóvis: O brasileiro ao longo do tempo foi tão colonizado, globalizado que a nossa auto-estima era muito pouca, só via o outro lado, nunca valorizava os artistas da terra. A pintura naïf também sofreu muito isso, essa rejeição por ser uma pintura simples que não seguia um padrão de qualidade acadêmica. Eu, por exemplo, no começo sofri muitas críticas por alguns artistas de outras escolas por ser um pintor primitivo mas mesmo assim eu segui em frente e hoje estou aqui, fazendo o meu trabalho, o resultado está aqui. Assim como em todas as outras tendências artísticas, sempre vai haver uma pessoa pra dar continuidade. A pintura naif não tem moda, passa tudo na frente dela e ela segue caminhando com sua característica particular. Não importa em que época estamos, ela é natural, tem seu lugar certo na arte.

BA:Os brasileiros que visitam sua exposição conseguem identificar todo um significado social retratado em seu quadros por que estes são aspectos de nossa cultura. E os europeus, como reagem ao seu trabalho?

Clóvis: Infelizmente o europeu na maioria das vezes tem mais olhos pra nossa pintura que os próprios brasileiros. É engracado que quando eles vêem meu trabalho, tem apenas uma noção do que é o Brasil, eles vêem que o Brasil é um pais que ainda está por ser descoberto, não sabem a potência que o país tem, da alegria de um povo que independente de crise está sempre com sorriso na boca, não precisa ser rico ou pobre pra ser alegre. Certa vez estava com uma exposição em Buenos Aires e uma pessoa me perguntou: ‘Por que vocês só vivem sorrindo se ganham tão pouco?’ Eu tomei um choque com aquela pergunta. Na época a Argentina estava bem e aí eu disse ‘mas por que vocês ganham tão bem e são todos tão tristes?’

BA: Percebi que você tem umas xilogravuras expostas também. Tem aí uma influência de Cordel?

Clóvis: Esses quadros na verdade são cordéis coloridos, os traços da xilogravura estão todos aí, é puro cordel. A arte no cordel nasceu pela necessidade de se expressar, é outro movimento da pintura junto com a poesia. Eu faço a xilogravura também, que é assim um trabalho muito particular, é como se fosse uma mágica. Você com um papel, estilete, um lápis, um cartão e pronto, ja fez uma xilogravura, que é mágica pela sua simplicidade. O bom da xilogravura pro meu trabalho é que ele quebra o colorido.

BA: O tema da sua exposição é “Pinturas Mágicas”. Mágicas por que?

Clóvis: Porque você pode criar a mágica em cima de cada quadro. Eu posso dizer que esse quadro é isso e você imagina de outra forma, ele dá essa possibilidade de você viajar, de também fazer parte dele. Aí que está a magia da pintura dos meus quadros, deixar as pessoas à vontade com eles.

A exposição aconteceu dias 10 a 26 de junho de 2004 na Galeria 32, Embaixada do Brasil em Londres.

* Geogia Martins é poeta e estudante do curso de jornalismo da PUC-SP. Atualmente vivendo em Londres, ela participa do movimento www.BrazilianArtists.net.

FONTE: http://www.brazilianartists.net/profiles/clovisrossi/interview_portuguese.htm

♪♫♫♪ Nana Rizinni ♪♫♫♪


NANA RIZINNI








NANA RIZINNI

Lapidada pela renomada baterista e professora Vera Figueiredo e depois pela escola inglesa (de Londres) Drum-tech, Naná, 28 anos, formou-se em instrumento popular (bateria) na Faculdade de Música Carlos Gomes, onde estudou com o baterista Ronaldo Palleze. Desde as aulas com a Vera, ela já tocava e gravava na cena de Sampa. Teve sua banda de rock, o Krepax, trabalho de 3 anos e um EP gravado. Após segurar suas baquetas técnicas e explosivas para vários grupos e artistas (a banda belga Vive La Fete, Tié, K-SIS, Kiko Loureiro, Cuca Teixeira, Khristiano Oliveira, Michel Leme, Eduardo Ardanuy, Vera Figueiredo, Monica Agena, Wilson Sideral, Rogerio Flausino, Champignon, Negra Li etc), Naná dirige a cena com este Bacon Eggs. O rock predomina no EP, mas a baterista comanda sua banda em uma viagem também pelo pop, groove, funk (por favor, o original americano, de James Brown e não das cachorras!) e até por um climazinho lounge (como em um trecho da canção “Danger Zone”).

Vi a Nana pela primeira vez no programa do profissão repórter e achei ela uma pessoa muito capaz e múltipla. A menina vai de cantora, compositora, professora de bateria, professora de inglês, diretora de musicais. Achei muito bacana a batalha dela para viver da música. Através do Orkut, consegui obter essa entrevista que vocês vão ler a seguir:

Nana: Olá Jordélia, obrigada pelo convite…

Jordélia: Nana, por gentileza, para começar, conta um pouquinho da sua trajetória.

Nana: Comecei a tocar batera com 17. Tive muitas bandas, toquei de tudo um pouco. Aos 23 fui estudar musica em Londres. Fiquei quase 2 anos lá, tocando, estudando e vivendo… Voltei pro Brasil, entrei na Faculdade de música, camelei pra terminar mas terminei. Toquei bastante e tive muitas bandas nessa época da faculdade, inclusive KREPAX (com Dionisio Neto, Mônica Agena e Hagape Cakau). No ano passado resolvi graver meu próprio trampo, e foi assim que nasceu o meu primeiro EP “Bacon Eggs”.

Jordélia: Na reportagem do Profissão repórter, a jornalista fala que você desistiu de duas faculdades. Como foi na hora de decidir desistir delas?

Nana: Ah, foi super simples. Foi pensar e fazer. Nunca tive dúvidas de nada Na segunda faculdade foi até um pouco radical, tipo: vou vender meu carro e ir pra Londres. E fui, dois meses depois que tive a idéia eu estava em Londres.

Jordélia: Na mesma reportagem eu vi que você toca em 5 bandas, compõe, dá aulas de bateria, ainda estava, na época, com a direção musical de uma peça e ainda acha tempo para malhar. Como é seu dia de rotina com esse “vuco-vuco” todo? Como você faz para repor as energias?

Nana: Esse negócio de 5 bandas não é bem assim… Ficou confuso um pouco. Na época tava com 5, mas é trampo não é banda – tipo freelancer… Acompanho alguns artistas, vezes sim, vezes não, faço sub as vezes… é assim! E fora isso dou aulas.

Jordélia: Quais são as bandas que você toca?

Nana: Agora, além do meu projeto, estou tocando em uma banda chamada Jack & Fancy. É um trio: Sandra Coutinho (das Mercenárias) no baixo e vocal, Clemente (Inocentes) na guitarra e vocal e eu na batera. Tô acompanhando também o cantor Thiago Pethit.

Jordélia:Eu fiquei encantada com as suas multifaces, você é praticamente uma ninja (rsrsrss). Como é a história de se afastar um pouco da música para dar aulas de inglês?

Nana: É engraçado. Eu me transformo em um outro personagem e entro num universo paralelo.

Jordélia: Quando o “Profissão Repórter” te convidou, qual foi a sensação? Existe algo do tipo antes e depois dessa matéria?

Nana: Foi uma matéria muito bacana de fazer, divertido. E claro, a galera que assistiu e que se interessou, foi atrás do meu trabalho… Mas antes e depois da materias acredito que não… Muito mais pessoas nas minhas páginas de internet…. rsrsrsrsrs

Jordélia: O bom de sua matéria ir ao ar é que tira um pouco o mito de que artista não rala, que é tudo vida mansa, quando na verdade é pura batalha, um leão ao dia. Como foi a hora que você viu que tinha que trilhar o caminho da música e que dali sairia sua independência financeira?

Nana: Foi muito natural. Eu não pensei nisso em nenhum momento durante o processo. Quando agente ama alguma coisa, agente não fica pensando nas consequencias… Ainda mais no futuro! Vc se joga. É tudo muito gostoso.. Os probleminhas que vão aparecendo no caminho você vai se virando, arrumando. Claro que não é fácil, mas tenho certeza que a decisão que tomei foi a melhor pra mim!

Jordélia: Seu vídeos-clips são muito criativos. Foi você mesma que os criou?

Nana: Foi eu em parceria com pessoas extremamente criativas. O primeiro video clip “Bacon Eggs” quem fez a direção foi a Anna Penteado e o Toni Pereira. Agente conversou muito e criamos a concepção juntos. A fotografia foi o Fernando Moraes. O figurino foi a Alexandra Fernandes (da Tudi Cofusi) e a Mak e hair foi a Stella Fernandes. Enfim, uma equipe de pessoas muito amigas e muito criativas…. O segundo clip “Busy in the City” foi direção do Felipe Igarashi. A make e hair stylist foi a Rachel Ramos. O Iga é um amigão meu que sempre tem umas idéias loucas, como eu, e agente se entende. Nosas parceria sempre funcionou muito bem!

Jordélia: Por que a maioria de suas músicas são em inglês? Vem alguma novidade aí em “Portuguese” pra o próximo álbum?

Nana: Com certeza! Novidade em português sim! E tb em espanhol, francês, japonês, polonˆ´s.. rsrsrs. Gosto de brincar com as línguas. Mas de fato a lingual que melhor me expresso é ingles. Cresci no EUA e sempre li em ingles… Então quando escrevo a lingual que sai é essa! Mas estou trabalhando nas minhas próximas composições e quero escrever em português sim!

Jordélia: Conta pra gente de onde vem tanta inspiração? Tem algumas influencias musicais que te ajudaram nesse repertório?

Nana: Tudo é inspiração. Pessoas, homens e mulheres, livros, filmes, músicas, lugares, baladas, minha vida, outras bandas… Tudo! Acho que as influências musicais que influenciaram nas minhas músicas são as que estão embutidas em mim… Tudo que escutei na vida e que escuto até hoje.

Jordélia: O que você ouve?

Nana: Eu gosto de ouvir de tudo. Gosto de saber o que está Rolando no cenário, baixo milhões de discografias… Gosto das coisas mais antigas, anos 70, 80… Essa nova safra gosto bastante também: The Ting Tings, MIA, MGMT, Killers, Raconteurs, Hot Chip, The Knife… Aqui no Brasil: Moxine, Brollies and Apples, Blubell, Tiê, Thiago Pethit…

Mas as bandas e artistas que escutei muito na vida: Led Zeppelin, Beatles, Madonna, Nação Zumbi, Chico, Cake, Blur, Radiohead, Beck, Michael Jackson… Puts, muita coisa….

Jordélia: Quando você passará aqui por João Pessoa?

Nana: Espero que logo! Adoraria tocar pra galera de João Pessoa…

Jordélia: Nana foi um prazer fazer essa entrevista louca, eu aqui no fim do mundo e você aí do outro lado me respondendo tudo numa boa. Você é uma simpatia, eu não a conheço pessoalmente, mas pela reportagem dá pra sentir isso. Sim, o que eu não esqueço e que achei muito legal foi quando a repórter te perguntou o que você pretendia com seu trabalho e que você disse: “conquistar o mundo”. Parabéns pelo seu trabalho e mais uma vez obrigada. Sucesso pra você!

Nana: Hahahaha…. Obrigada você pelo convite e tudo de bom! Parabéns pelo seu blog!

Sorte para nós!

Onde você pode encontrar a grande Nana Rizinni

Site: http://www.nanarizinni.com.br/

Blog: http://nanarizinni.blogspot.com

Profissão repórter:

:http://www.youtube.com/watch?v=GPCgNUoLtLg&feature=player_embedded

COMUNIDADES NO ORKUT:

RENAN AVERSARI


Renan Aversari

Estudante de Direito (último período)

Estudante de Física

Atleta

email: sr_aversari@hotmail.com

Jordélia: Renan, Porque junto com o “direito”, você, escolheu também fazer física. Qual dos dois cursos foi a primeira escolha? E por quê?

Renan: Minha primeira opção foi a física, foi uma escolha um tanto turbulenta. Sempre fui muito curioso, um aluno aplicado e sempre tive muita aptidão matemática. Durante minha infância, minha primeira experiência literária foi a enciclopédia Delta Universal, o que abriu minha mente para os livros e me fez despertar interesse especial pelo universo científico, tanto que montei um pequeno laboratório na casa onde morava. No ensino médio, houve uma identificação imediata com a física, a química e a biologia o que mostrava que nos próximos anos trilharia uma carreira científica, entretanto, a confusão instaurou-se justamente em qual curso escolher. Após muita pesquisa e muitas conversas com professores, o curso escolhido foi o bacharelado em física, motivado pela paixão a decisão havia sido tomada, iria ser um cientista. Nunca pensei em estudar direito na verdade, depois de muito insistir, meu pai acabou me convencendo a seguir uma carreira jurídica e, um ano depois de iniciar o curso de física, prestei um novo vestibular, dessa vez para direito.

Jordélia: O que te prende à física?

Renan: A física está incrustada em mim, foi o meu primeiro amor e continua a me encantar a cada dilema, a cada descoberta, a cada debate. O que me prende a física é o desejo de tornar-me um dia um grande cientista.

Jordélia: O que te prende ao direito?

Renan: O direito me conquistou pela sua beleza disfarçada, não é tão sublime e elegante quanto a física, entretanto, a lógica depreendida e sua filosofia fundamentalista o constituem academicamente com um encanto maestral, realmente é um curso encantador. O que me prende hoje ao direito é, principalmente, o vislumbre financeiro, ou seja, é a ambição por ser um profissional sem frustrações econômicas.

Jordélia: Conte-nos, como foi essa história do “foguete” e o sonho de trabalhar na NASA ?

Renan: Entre verdades e lendas, foi um episódio lúdico. Essa história do foguete começou com uma feira de ciências ainda nos tempos ginásio, eu e um amigo, hoje químico, tivemos essa ideia de construir alguns protótipos inocentes para a feira de ciências, mas nem houve a bendita feira, e então ficamos com aqueles projetos sem destinação específica. Acabamos levando em continuidade por diversão e a coisa tomou proporções inesperadas, ficando cada vez maiores, mais sofisticados e mais caros. Depois de destruir alguns telhados, remanescerem uns 30 quilos de alumínio para feitura de combustível aqui em casa, montes de rolos de plantas e projetos, muito dinheiro e horas gastas trabalhando nisso deixamos sobrestado, mas mais por falta de tempo do que por qualquer outro motivo. Essa história de ir para a NASA é mais uma estória, um lenda urbana ao meu respeito.

Jordélia: É sabido por todos seus amigos que você lê bastante, mas bastante mesmo. Em suas leituras, diga-nos uma obra, ou até mais, que você acha que todos deveriam ler.

Renan: Indicaria algumas obras que todos deveriam ler: O príncipe, de Maquiavel; A arte da guerra, de Sun Tzu; Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking; O mundo de sofia, de Jostein Gaarder e O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Outra leitura que não se configura como uma obra em si, mas são fabulosas também, são os provérbios chineses. Para mim, estas, além de excepcionais, são obras fundamentais.

Jordélia: Hoje, como aluno do curso de direito, como você vê o papel do advogado e/ou profissões agregadas na sociedade brasileira?

Renan: O advogado despende uma função essencial em qualquer sociedade moderna, sendo sua valia desenvolvida pela necessidade de uma sociedade justa e equilibrada onde haja a efetiva valoração e respeito, do povo, pelos princípios democráticos, pela Constituição e pelas leis, neste âmbito, o advogado resplande como um símbolo.

Jordélia: Como estudante de física, qual o futuro visto para essa ciência, no seu conceito?

Renan: Não só o futuro da física, mas também o de toda ciência reside no interminável, isto é, sempre novas descobertas são feitas e com isso mais mistérios a serem estudados, a ciência se concebe num ciclo ininterrupto em busca da verdade. Entretanto, os benefícios dos avanços científicos e tecnológicos são resvalados diretamente à população. Como exemplo desse efeito podemos citar os avanços na medicina, nos transportes, na comunicação, etc.

Jordélia: Você ainda quer ser “Diplomata”? Como se deu essa vontade e o que faz para que alcançar esse objetivo?

Renan: Na verdade não. A idéia da diplomacia me pareceu charmosa e convidativa, principalmente por seu estatus, no entanto, algumas dificuldades na carreira me fizeram desistir da idéia. A principal razão da minha desistência foi o abandono da carreira científica, isso me destruiria.

Jordélia: E a natação, como surgiu em sua vida?

Renan: A natação surgiu por uma recomendação médica, ainda quando criança, hoje a sigo como estilo de vida, a piscina e o cloro fazem parte do meu cotidiano. Pratico diariamente como atleta empenhado e com uma disciplina rigorosa. Seus benefícios são inúmeros, mas o que mais me contenta é estar sempre de bom humor.


Jordélia: Você é sempre disciplinado com as suas atividades ou a disciplina foi algo que você sentiu necessidade de adquirir?

Renan: A disciplina talvez seja o meu maior trunfo, juntamente com a paciência e a perseverança. Essa combinação sempre me rendeu ótimos resultados.

Jordélia: Você já fez alguma viagem a algum lugar que até hoje você não esquece? Qual? Fale-nos um pouco dela, por gentileza.

Renan: Viagens são sempre inesquecíveis, as companhias, os lugares desconhecidos, tudo isso me traz recordações muito boas, muito felizes. Talvez não conte, mas a viagem mais interessante que já fiz foi aqui nos arredores da minha própria cidade. João Pessoa, e também a Paraíba, tem uma história belíssima e este seu arcabouço permanece vivo e presente nos edifícios da cidade. Um dia, eu acompanhado de um amigo, visitamos, a pé, cada ponto histórico desde a cidade antiga até Cabedelo, escutando e “vivenciando” as histórias sobre os locais. Tivemos a oportunidade de ver algumas fotografias antigas da cidade e de conhecer mais intimamente a história de alguns prédios, igrejas e praças desta maravilhosa cidade. Sem dúvida a melhor viagem, a qual não sai da cidade, foi uma viagem “temporal” sobre os acontecimentos históricos de João Pessoa.

Jordélia: Seu pai tem um grande escritório de advocacia em João Pessoa, como você se sente em relação a um dia herdar as responsabilidades do escritório? Você pensa nisso ou simplesmente deixa as coisas irem acontecendo?

Renan: Inevitavelmente isso acabará acontecendo e terei de estar preparado para tanto, não é uma tarefa simples de fato. A vida nos ensina a estar preparado para todas as situações e venho me qualificando para isso. Existe um provérbio chinês que se aplica plenamente a esta situação, costumo repeti-lo para mim mesmo algumas vezes: “Espere o melhor, prepare-se para o pior e receba o que vier”.

Jordélia: Depois dos dois cursos, que profissão você pensa em exercer?

Renan: O magistério, sempre tive esse objetivo, estou planejando um mestrado para o ano que vêm, em direito, pela PUC de São Paulo. Pretendo exercer a advocacia em comunhão com o magistério acadêmico. E quanto a ciência, eu a quero exercê-la sem pressões financeiras, resumindo-me a uma carreira acadêmica de alto nível, inclusive com participações em instituições de renome internacional.

Jordélia: E a paixão por música clássica, existe mais algum outro tipo de música que você goste?

Renan: A música é alimento da alma, é ela quem me movimenta. Me considero um eclético, mas além da música clássica, tenho uma queda especial pelo rock de vanguarda. Minha banda favorita é o Pink Floyd, não resisto a musicalidade deles, são solos incrivelmente delirantes. Algumas músicas como “Confortable numb”, “Learning to fly”, “Poles apart” e “Coming back to life” conseguem, literalmente, me paralisar.

Jordélia: Desde já, muito obrigada pela sua entrevista. Foi uma honra. Obrigada!!!

Renan além de grande amigo é colaborador do blog e quem me dá várias e várias ideias. Mais uma vez, Renan, muito obrigada!

♪♫♪♫ MONIQUE KESSOUS ♪♫♪♫

MONIQUE KESSOUS




Cantora, compositora e multi-instrumentista brasileira.

http://www.myspace.com/moniquekessous

mais sobre Monique Kessous:

http://cafenasletras.blogspot.com/2009/08/nao-pode-deixar-de-ouvir.html



Oi Jordélia!

Muito obrigada pelo convite. Adorei participar do seu blog com esta entrevista.

Vou ver se consigo ir em breve para João Pessoa.

Beijos pra você e para todos que passarem pelo blog.

Jordélia – Como tudo começou na sua carreira, quando você percebeu que iria fazer música e cantar?

Monique Kessous – Cresci numa família muito musical. Meu pai sempre gostou de tocar violão, minha mãe tocava piano e sempre cantarolava melodias em casa. A minha brincadeira preferida era ficar ao lado do meu pai cantando e ouvindo ele tocar violão… eu, minha mãe e meu irmão Denny, que hoje é músico da minha banda e meu parceiro em várias músicas.

Aos 9 anos participei de um festival de música da minha escola e a professora de música me chamou para fazer o solo à frente do coral de toda a minha classe. Ela disse que eu era muito afinada e me colocou lá na frente… Eu fui, sem saber o que iria acontecer. Eu sabia que gostava muito de música, mas não sabia que podia cantar.

Tinha um piano lindo, um menino da minha classe tocando violino…era uma música muito bonita chamada Exodus. Comecei a cantar e me surpreendi com a força que vinha de dentro de mim e que fazia muito sentido quando saía. Foi uma emoção tão grande e uma sensação tão impactante que naquele dia eu decidi que seria cantora. Me lembro de dizer isso pra minha mãe assim que acabou a apresentação.

Com todo o meu interesse, fui buscando estar perto da música e as coisas foram acontecendo aos poucos e sempre… fiz aulas de canto, aprendi a tocar violão com meu irmão, comecei a compor, estudei piano, harmonia funcional, percepção musical, me interessei por outros instrumentos: cajon, acordeon, baixo…e continuo aprendendo muito sempre e tentando aprimorar cada vez mais o que eu faço.

Jordélia – Qual a sua música que você mais gosta e qual é aquela que você não pode ficar sem cantar em um show?

Monique Kessous - Posso dizer que passo por fases. Depende de como estou me sentindo, do que estou vivendo. No momento, estou gostando mais da música “Com essa cor” porque me identifico muito com a letra, com o arranjo. Acho essa música ao mesmo tempo delicada e forte, que é como me sinto. Um pouco yin e yang ao mesmo tempo.

Hoje em dia, a música que não pode faltar no show é “Pitangueira“, que está na novela “Paraíso”, tem tocado bastante em algumas rádios e o pessoal adora… canta junto sempre.

JordéliaQuando você pretende vir a Paraíba, em específico em João Pessoa?

Monique Kessous – Eu estou super ansiosa para viajar com o show pelo Brasil e adoraria ir a João Pessoa. Deve ser uma cidade encantadora. Acho que até o fim do ano conseguimos viabilizar a ida para a Paraíba. Vamos torcer!


JordéliaComo surgiu a ideia quando fez gravações dos Beatles em ritmo de bossa nova?

Monique Kessous - Em 2004, bem antes de eu gravar meu cd, eu estava começando a mostrar meu trabalho pro Roberto Menescal, que é um dos donos da gravadora Albatroz. Eu ia lá conversar com ele, mostrar algumas músicas minhas e inclusive foi nessa época que ele fez a música Comunique-se pra mim, que mais tarde eu coloquei letra e foi pro meu disco.

Bom, eles estavam com este projeto “Beatles in bossa nova” e o Menescal me convidou para gravar a voz. Uma das características de lá, é que eles fazem releituras de vários artistas e estilos em ritmos de bossa nova. É um trabalho super interessante.

Apesar de a ideia não ter sido minha, foi super bacana ter participado do projeto, porque além de eu gostar muito de bossa nova, João Gilberto e tal, eu cresci ouvindo Beatles, sempre gostei muito da banda e neste momento, eu pude me aproximar mais ainda do trabalho deles que já era bem familiar pra mim. Bossa nova e Bealtes são grandes influências no meu trabalho.

Jordélia – Qual foi a sensação de ouvir sua música (com essa cor) o tempo todo na novela Ciranda de Pedras?

Monique Kessous – Foi muito legal! Foi a minha primeira música em novela e foi muito gratificante ter o reconhecimento do público. Sempre que eu podia, eu assistia e eu achei que a música realmente tinha tudo a ver com o personagem, o que certamente fez com a música tocasse bastante. E isso tudo foi muito bom para divulgar meu trabalho. Muita gente de vários lugares do Brasil passou a conhecer a música “Com essa cor”, e se interessar pelo meu cd e pelas minhas outras músicas. É muito especial quando esse movimento acontece.

Jordélia - Obrigada Monique, foi uma honra poder, mesmo de longe, te entrevistar e poder saber um pouquinho mais sobre você e seu maravilhoso trabalho.

Monique KessousObrigada você! Beijo grande e tudo de bom!

ROSÂNGELA NERES

Rosângela Neres

Mestre em Língua Portuguesa/Doutoranda em Literatura e Cinema

Profa. de Língua Portuguesa da Universidade Estadual da Paraíba

Blog: http://rosangelaneres.wordpress.com/

Twitter: http://twitter.com/rosangelaneres

Email: rosei2@yahoo.com



Jordélia : Professora, você tem mestrado e em breve doutorado. Sabe-se que não é fácil fazer esse percurso. Por Favor, conte-nos como foi sua trajetória acadêmica?

Rosângela : Foi bastante longa e cheia de altos e baixos, acredito que como a de muitos outros profissionais. Ao contrário daqueles que se orgulham de dizer que estudaram a vida toda na escola particular, eu me orgulho de dizer sempre que fui uma afortunada aluna da escola pública, na época do ensino de qualidade, com professores comprometidos e dedicados à docência. Fiz o curso fundamental e parte do ensino médio em escolas públicas, na época dos governos militares, os quais, apesar dos problemas políticos, valorizavam grandemente a educação moral e cívica, a religião, e enalteciam o estudo da língua materna e das línguas estrangeiras. Sempre fui muito feliz em ter recebido uma educação de qualidade e ter sido incentivada a ler muitos dos clássicos da nossa literatura, ainda em minha pré-adolescência. Depois, veio o vestibular e a decisão crucial de escolher um bom curso. Eu sempre quis ser professora de Língua Portuguesa, então, Letras foi a minha opção no vestibular. Na faculdade, fui uma aluna ativa e muito participante dos processos de crescimento acadêmico, pois fiz pesquisa de Iniciação Científica em Variação Linguística, um pontapé inicial para o meu mestrado na mesma área, e vários cursos de extensão oferecidos pela universidade. Após o mestrado, iniciei minha longa jornada pelas salas de aula, e fui professora de português, redação e literatura no Ensino Fundamental, Médio e no Cursinho, o que contam, se não me falha a memória, cinco longos anos em turmas de, no mínimo, sessenta alunos. Na UEPB, já são sete anos galgados no ensino da Língua Portuguesa para turmas formandas. O doutorado veio como aplacamento de um desejo antigo de voltar a estudar Literatura Inglesa, por isso, decidi modificar minha área de atuação e estou na reta final de minha pesquisa em Literatura e Cinema, trabalhando com a autora inglesa Virginia Woolf e sua literatura existencialista. E se você ainda me perguntar se continuarei a estudar, a resposta é sim, pois já tenho planos para o pós-doutoramento, possivelmente em 2015.



Jordélia : Por que escolheu trilhar a carreira acadêmica? Foi uma escolha planejada ou ela foi acontecendo pouco a pouco?


Rosângela : Totalmente planejada. Eu sempre gostei muito de estudar e isso é meio caminho andado para a academia. Não se concebe o professor que não estuda, que não se atualiza e está sempre em busca de inovações em sua área de atuação. Do amor pelos estudos surgiu a vontade imensa de ensinar e assim tornei-me professora. Os professores magníficos que tive também foram um grande incentivo e sou muito grata a eles pela dedicação e apreço com que entravam, todos os dias, em sala de aula, meio que “contaminado” a gente de vontade de também ser professor.


Jordélia : Professora, além de intelectual, a senhora sempre foi bem quista entre seus alunos de graduação/licenciatura, sempre conhecida por sua dedicação e afeto aos alunos e à profissão. Gostaria que falasse, por gentileza, um pouco sobre essa relação.

Rosângela : A relação professor-aluno para mim é a base de todo o processo de ensino-aprendizagem. Não consigo conceber uma aprendizagem que parte do vácuo ou da grosseria, da ignorância, da ameaça e do medo. Para mim, a mediação de conhecimentos é fundamental para que ambos, aluno e professor, possam aprender um com o outro. Paulo Freire dizia que “Mestre não é aquele que ensina, mas o que, de repente, aprende.” Existe tanto conhecimento inato em meus alunos e tantas são as minhas descobertas a respeito disso, que me sinto privilegiada e feliz de poder trabalhar com eles, de aprendermos juntos, não apenas os conteúdos teóricos da sala de aula, mas saber transformar esses conteúdos na própria vida e no universo diversificado que existe em cada um de nós. Acho que a relação professor-aluno não é propriamente acadêmica, mas é sim uma relação de vivências e experiências ímpares. E muitos de meus alunos nunca negligenciaram o fato de nossa boa relação e nunca a viram como algo permissivo ou descontextualizado. Sempre trabalhamos juntos na construção do saber, norteados pelo respeito mútuo, pela exigência construtiva e pela certeza do nosso engrandecimento como acadêmicos.



Jordélia : Qual o sentido, para você, de ser educadora?

Rosângela : É a própria vida. Ensinar me dá fôlego e sustentação para enfrentar os mais rígidos desafios, os mais complexos conteúdos e os altos e baixos de uma profissão que, muitas vezes, é desvalorizada e desprestigiada. Não existe recompensa maior para uma educadora do que poder ver seu aluno crescer academicamente, falar com eloqüência, discutir os assuntos da atualidade, ter discernimento sobre a própria prática da vida em sociedade. Isso é revigorante e faz com que, mais e mais, a vontade de mediar conhecimentos com aqueles que valorizam a academia seja o sentido de toda a nossa existência.



Jordélia : No Brasil, as mudanças de modelos educacionais acabam não amadurecendo e o que se tem visto são avaliações baixas do sistema educacional, universidades em todas as esquinas, um baixo nível acadêmico, alunos cada vez mais alienados, um sistema que privilegia quem pode pagar, etc… Para você, qual o reflexo disso?

Rosângela : Sinto muito, muitíssimo, que a educação não seja valorizada como deveria. Mas, como sempre digo em sala de aula, essa situação é muito conveniente para nossos governantes. O investimento em educação de qualidade originaria cidadãos comprometidos, de verdade, com sua cidadania. Esses mesmos cidadãos elegeriam os melhores governantes, exigiriam melhorias de vida e um sistema de saúde e educação capaz de competir com o dos países mais desenvolvidos. O problema do sucateamento da educação é um problema de ordem política, é o interesse da classe dominante. Sentido-se inferior a tudo e vítima do descaso dos governantes, o povo se anula e se deixa levar pela falta de comprometimento dessas pessoas. Sei que a tomada de ação voluntária é um ato muito difícil, mas se as pessoas reconhecessem o poder que teriam através da educação, uma nova era na base social brasileira seria implementada. Infelizmente, já se criou um círculo vicioso de professores que sucumbiram ao descaso e que, de um modo ou de outro, desistiram de lutar por melhoria. De outro lado, estão os que são bem pagos, mas não trabalham, porque não gostam de ensinar e simplesmente escolheram sobreviver ao sistema, e ganharem o seu dinheiro. Quem perde com isso são aqueles que poderiam ter se tornado verdadeiros cidadãos. O reflexo do caos da pseudo-educação que temos nesse país é um sujeito apático, descompromissado e intolerante. Há muita profissionalização de ensino superior nos dias de hoje, mas acredito ser questionável o número de profissionais que saibam realmente o porquê de dois e dois ser quatro.




Jordélia : Muito obrigada Professora, para mim foi uma honra entrevistá-la.

Rosângela : Imagina, você ficar me agradecendo pela entrevista. Eu adoro falar sobre a academia e me sinto honrada de você lembrar sempre de mim.