
Retrato de William Blake, por Thomas Phillips.
De acordo com sua biografia, William Blake ( nascido em Londres, 28 de novembro de 17757 a 12 de agosto de 1827), poeta, pintor e ilustrador, filho de James e Catherine Blake. Ele foi um verdadeiro revolucionário de sua época, pois, por meio de seus textos, encorajava as pessoas a se deligarem das imposições religiosas e políticas à procura de seus valores e ideais próprios.
Profundamente impressionado com o ritmo de atividades irrefreáveis nas Revoluções Americanas e Francesa, com todas as suas consequências sociais, Blake aplicou princípios revolucionários em suas reflexões acerca do desenvolvimento dinâmico do indivíduo. Sua obra pode ser dividida em dois períodos: antes e depois de Matrimônio do Céu e do Inferno, que li através de um presente de aniversário de anos atrás de Renan Aversari. No início, as obras de William Blake eram basicamente de natureza poética, com algumas narrativas a respeito de lendas da Inglaterra, composições meditativas e alguns hinos idealizados à natureza. There is no Natural Religion faz parte desse período.
Apenas dois de seus primeiros livros de poesia foram publicados enquanto ele ainda era vivo. São eles: Canções de Inocência e Canções de Experiência. Depois do surgimento de Matrimônio do Céu e do Inferno, Blake entra no período mais criativo de sua carreira e passa a se preocupar com a temática do desenvolvimento interno do ser humano. Foi nesse período que Blake produziu The Four Zoas e Jerusalem. Não é sem motivo que Matrimônio do Céu e do Inferno representa um marco na carreira de William Blake. Toda sua filosofia está resumida neste livro, totalmente ilustrado e colorido, e merece ser conhecida, dada a sensibilidade e a inteligência com que foi concebida por este revolucionário de seu tempo. Viveu num período significativo da história, marcado pelo Iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglatera. A literatura estava no auge do que se pode chamar de clássico “augustano”", uma espécie de paraíso para os conformados às convenções sociais, mas não para Blake que, nesse sentido era romântico, “enxergava o que muitos se negavam a ver: a pobreza, a injustiça social, a negatividade do poder da Igreja Anglicana e do estado.
Em 1782, após um relacionamento infeliz que terminou com uma recusa à sua proposta de casamento, Blake casou-se com Catherine Boucher. Blake ensinou-a a ler e escrever, além de tarefas de tipografia. Catherine retribuiu ajudando Blake devotamente em seus trabalhos, durante toda sua vida.
No dia de sua morte, Blake trabalhava exaustivamente em A Divina Comédia de Dante Alighieri, apesar da péssima condição física que culminaria no seu fim. Seu funeral, bastante humilde, foi pago pelo responsável pelas ilustrações do livro, e apesar de sua situação financeira constantemente precária, Blake morreu sem dívidas.
Hoje Blake é reconhecido como um santo pela Igreja Gnóstica Católica, e o prêmio Blake Prize for Religious Art (Prêmio Blake para Arte Sacra) é entregue anualmente na Austrália em sua homenagem.
Vejamos algumas obras desse gênio:

Satã observando o amor de Adão e Eva, Mus. de Belas-Artes - Boston.

A criação de Adão, Tate Gallery - Londres.

O Eterno, Whitworth Art Gallery - Univ. de Mancheste.

O círculo da luxúria: Paolo e Francesca, A Divina Comédia.
Nesse enderço você pode encontrar as 182 obras de arte do Blake: http://pintura.aut.org/BU04?Autnum=11.210
Biografia:
- Poetical Sketches (1783)
- There is no Natural Religion (1788)
- All Religions Are One (1788)
- Songs of Innocence (1789)
- Book of Thel (1789)
- The French Revolution: A Poem in Seven Books (1791)
- A Song of Liberty (1792)
- The Marriage of Heaven and Hell (1793)
- Visions of the Daughters of Albion (1793)
- America, A Prophecy (1793)
- Songs of Experience (1794)
- Songs of Innocence and of Experience (1794)
- Europe, a Prophecy (1794)
- The Book of Urizen (1794)
- The Song of Los (1794)
- The Book of Ahania (1795)
- The Book of Los (1795)
- Night Thoughts (1797) (ilustrações)
- Milton (1804)
- Grave (1808)
- Everlasting Gospel (1818)
- Jerusalem (1820)
- The Ghost of Abel (1822)
- Dante’s Divine Comedy (1825) (ilustrações)
- O livro de Jó da Bíblia (1826) (ilustrações)
Vejamos um trecho da obra Matrimônio do Céu e do Inferno:

Capa da obra pela Editora Madras.
Provérbios do Inferno
No tempo de semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.
Conduz teu carro e teu arado sobre a ossada dos mortos.
O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.
A Prudência é uma rica, feia e velha donzela cortejada pela Impotência.
Aquele que deseja e não age engendra a peste.
O verme perdoa o arado que o corta.Imerge no rio aquele que a água ama.
O tolo não vê a mesma árvore que o sábio vê.
Aquele cuja face não fulgura jamais será uma estrela.
A Eternidade anda enamorada dos frutos do tempo.
À laboriosa abelha não sobra tempo para tristezas.
As horas de insensatez, mede-as o relógio; as de sabedoria,
porém, não há relógio que as meça.
Todo alimento sadio se colhe sem rede e sem laço.
Toma número, peso & medida em ano de m´ngua.
Ave alguma se eleva a grande altura, se se eleva com suas próprias alas.
Um cadáver não revida agravos.
O ato mais alto é até outro elevar-te.
Se persistisse em sua tolice, o tolo sábio se tornaria.
A tolice é o manto da malandrice.
O manto do orgulho, a vergonha.
Prisões se constroem com pedras da Lei; Bordéis, com
tijolos da Religião.
A vanglória do pavão é a glória de Deus.
O cabritismo do bode é a bondade de Deus.
A fúria do leão é a sabedoria de Deus.
A nudez da mulher é a obra de Deus.Excesso de pranto ri.
Excesso de riso chora.
O rugir de leões, o uivar de lobos, o furor do mar em procela e a
espada destruidora são fragmentos de eternidade, demasiado grandes para o
olho humano.
A raposa culpa o ardil, não a si mesma.
A alegria fecunda. Tristeza engendra.
Vista o homem a pele do leão, a mulher, o velo da ovelha.
O pássaro um ninho, a aranha uma teia, o homem amizade.
O tolo, egoísta e risonho, & o tolo, sisudo e tristonho,
serão ambos julgados sábios, para que sejam exemplo.
O que agora se prova outrora foi imaginário.
O rato, o camundongo, a raposa e o coelho espreitam as raízes; o leão, o
tigre, o cavalo e o elefante espreitam os frutos.
A cisterna contém: a fonte transborda.
Uma só idéia impregna a imensidão.
Dize sempre o que pensas e o vil te evitará.
Tudo em que se pode crer é imagem da verdade.
Jamais uma águia perdeu tanto tempo como quando se submete a tomar liçõe do corvo.
A raposa provê a si mesma, mas Deus provê ao leão.
De manhã, pensa, Ao meio-dia, age. Ao entardecer, come. De noite, dorme.
Quem consentiu que dele te aproveitasses, este te conhece.
Assim como o arado segue as palavras, Deus recompensa as preces.
Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.
Da água estagnada espera veneno.
Jamais saberás o que é suficiente, se não souberes o que é mais que
suficiente.
Ouve a crítica do tolo! É um direito régio!
Os olhos de fogo, as narinas de ar, a boca de água, a barba de terra.
o fraco em coragem é forte em astúcia.
A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão ao
cavalo como apanhar sua presa.
Quem reconhecido recebe, abundante colheita obtém.
Se outros não fossem tolos, seríamos nós.
A alma de doce deleite jamais será maculada.
Quando vês uma Águia, vês uma parcela do Gênio; ergue a cabeça!
Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para pôr seus
ovos, o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.
Criar uma pequena flor é labor de séculos.
Maldição tensiona: Benção relaxa.
O melhor vinho é o mais velho, a melhor água, a mais nova.
Orações não aram! Louvores não colhem!
Júbilos não riem! Tristezas não choram!
A cabeça, Sublime; o coração, Paixão; os genitais, Beleza; mãos
e pés, Proporção.
Como o ar para o pássaro, ou o mar para o peixe, assim o desprezo para o desprezível.
O corvo queria tudo negro; tudo branco, a coruja.
Exuberância é Beleza.
Se seguisse os conselhos da raposa, o leão seria astuto.
O Progresso constrói caminhos retos;
mas caminhos tortuosos sem Progresso são caminhos de Gênio.
Melhor matar um bebê em seu berço que acalentar desejos irrealizáveis.
Onde ausente o homem, estéril a natureza.
A verdade jamais será dita de modo compreensível,
sem que nela se creia.
Suficiente! ou Demasiado.
Os Poetas antigos animaram todos os objetos sensíveis com Deuses e Gênios, nomeando-os e adornando-os com os atributos de bosques, rios, montanhas, lagos, cidades, nações e tudo quanto seus amplos e numerosos sentidos permitiam perceber.E estudaram, em particular, o caráter de cada cidade e país, identificando-os segundo sua deidade mental;Até que se estabeleceu um sistema, do qual alguns se favoreceram, & escravizaram o vulgo com o intento de concretizar ou abstrair as deidades mentais a partir de seus objetos: assim começou o Sacerdócio;Pela escolha de formas de culto das narrativas poéticas.E proclamaram, por fim, que os Deuses haviam ordenado tais coisas.Desse modo, os homens esqueceram que todas as deidades residem no coração humano.
Algumas informações foram retiradas de http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Blake