::: BELLE SOARES ::


Belle Soares em um de seus espetáculos na Praia do Jacaré, Paraíba.

Belle Soares em um de seus espetáculos na Praia do Jacaré, Paraíba.

…E em mais uma ida à Praia do Jacaré para ver o pôr do sol, vi uma pequena que deixava todos paralisados admirando sua intimidade com o violino e sua beleza e simpatia, soava uma música suave e que acalmava a todos que ali estavam. Tem sido assim em todas essas tardes lindas de verão para o turistas que chegam ao local.

A jovem musicista Belle Soares, 21 anos, faz seus espetáculos junto a outros músicos, como por exemplo o Jurandy do sax que ao terminar  o bolero de Ravel dá espaço à música linda e delicada que ecoa do violino da Belle.  O cenário é  de arrepiar, o sol e o mar em perfeita sintonia.  A violinista faz sua música com tamanha perfeição que chega a atrair para o local turistas de todo o mundo, todos querem conhecer esse talento que enche de orgulho todos os paraibanos.

A bela Belle, tem dois dois perfis lotados no site de relacionamento o orkut, graças a sua simpatia, simplicidade e popularidade. Num desses perfis, consegui manter contato com a mesma que me enviou um release da sua  vida musical e em seguida me respondeu algumas perguntas.

PARABÉNS BELLE PELO SEU TRABALHO E OBRIGADA PELA ATENÇÃO.

RELEASE:

Belle Soares, natural de João Pessoa-PB, iniciou seus estudos em teoria musical aos 7 anos (1994), na Escola de Música Antenor Navarro (EMAN-FUNESC-PB), e aos 11 anos (1998) começou a estudar violino, pelo método tradicional, na Escola de Música SPAAC-PB. Aos 13 anos (2000), ingressou no Centro Musical Susuki, sob a orientação do professor Ademar Rocha (violinista da Orquestra Sinfônica da Paraíba – OSPB), onde permaneceu pelo período de quatro anos. Retornou a Escola Antenor Navarro aos 17 anos (2004), curso de Técnica Musical, tendo como professores de teoria musical, Mabel Hipólito, Nadya Amorim, Pedro Wellington, Luiz Carlos Durier e Rogério Borges, e instrumental, Sandra Aquino e Yerko Tabilo (2004 – 2007), e Renata Simões (2008) até o presente momento. Participou de mini cursos com os professores Sheyla Yatsugafu (SP) e Daniel Guedes (RJ), durante o XIII e XVI Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga (2002 e 2005), em Juiz de Fora – MG. Convidada pela Banda Sinfônica (RJ) a fazer participação especial no Concerto Bicentenário do Corpo de Fuzileiros Navais, no Teatro Paulo Pontes – FUNESC-PB, em 2008, sob a regência do Capitão-Tenente Marcos Rabelo. Atualmente, é violinista do restaurante Bombordo, no ponto turístico da praia do Jacaré – PB, no qual executa músicas clássicas e populares.

Fiz algumas perguntas a Belle sobre trabalho, preferências musicais, ideias e projetos:

“Sou natural de João Pessoa – PB. A ideia de eu tocar lá no jacaré foi o seguinte: Eu sempre ía lá ver um amigo meu que toca violino. Então, eu já tinha esse sonho de um dia poder tocar por lá, nem que fosse só por uma vez. Daí, um dia eu recebi a ligação de minha amiga Danielle que tinha uma sorveteria por lá e ela me põe para falar com uma violinista que toca num restaurante chamado Bombordo. Foi aí que tudo começou. Essa violinista chamada Juliana, precisava de uma substituta pois ela não poderia tocar todos os dias lá. E aí foi quando eu comecei no dia 08 de Dezembro de 2007 a tocar no Bombordo. No começo tive algumas dificuldades é lógico mais depois que fui pegando o jeito eu me tornei o que me tornei e aí hoje em dia tem até pessoas que vão lá só pra me ver. Isso é uma felicidade que não tem tamanho para mim. A questão do reconhecimento, é tudo para qualquer artista. E quando você ganha isso, você está feito!
Minha mãe é bailarina, e daí eu sempre desde pequena escutei músicas clássicas e já fiz ballet também. Daí com uns 7 anos eu vi uma amiga tocando violino e fiquei louca. Desde então eu quis entrar em uma escola de música para aprender o tal instrumento. E foi aí que tudo começou como diz o meu relese. Para ficar mais claro, ninguém na minha família é musicista. Eu sou a primeira e eu quem tomei essa iniciativa e tive como tenho até hoje o apoio da minha mãe e do meu padrasto, tanto é que virou minha profissão, minha paixão, minha vida! Digo a você que escuto de tudo! Sou bem eclética e vou desde o clássico até o rock pesado. Mais te confesso que sou bem romântica e nas minhas horas de “solidão” ehehe, escuto muito trilhas sonoras de filmes do Wall Disney, ou qualquer outro filme sem ser Wall Disney. Adoro trilhas sonoras de filmes. Também escuto Bach, Vivaldi, Corelli, entre outros. Mais também não deixo de lado o forrozinho arretado! ehehhe.. Eu amo forró e adoro dançar e cantar também, inclusive agora estou tocando e cantando, no meu cd vocês podem comprovar isso!
Com relação ao cd foi tudo muito rápido para mim. Eu conheci uma turista mineira chamada Linda Saab lá no jacaré mesmo, e daí ela quis me ajudar a gravar o cd. Todos os turistas me pediam, todos os dias eu escutava isso. Foi a partir dessa turista mineira que eu comecei a trabalhar nesse projeto. Daí ela conseguiu um encontro meu com Marcus Viana (compositor, cantor, violinista. produtor musical e etc, faz trilhas sonoras das novelas da Rede Globo e um de seus grandes sucessos foi na novela Pantanal e O clone com a música – A miragem). Quando conheci Marcus tudo mudou em minha vida a ponto dele querer me produzir e o fez. Gravei meu cd em seu estúdio (Sonhos e Sons), sob toda a direção dele e tudo mais. A escolha das músicas foi de acordo com o gosto dos turistas. Fiz uma pesquisa e muitos deles gostariam que no meu cd tivessem as músicas que eu toco lá no jacaré. Coloquei então elas menos a música do Roberto Carlos – Como é grande o meu amor por você, mais as outras estão todas no cd inclusive o Bolero de Ravel, incluindo mais outras 3 que mais gostava e A Miragem de Marcus Viana.
Ai! São tantas músicas que mais gosto de tocar, difícil dizer uma, mais a que eu posso citar seria uma música que contêm no meu cd que é Zombie - The Cramberries. Eu gosto muito dessa banda! Eu acho que a que eu não posso deixar de tocar seria a Ave Maria pois além de trazer um grande conforto e paz pra todos nós, é bastante bonita e cativante.”

“Bem, além de musicista – cantora, sou também professora de violino e pedagoga. Faço curso de pedagogia na federal e pretendo um dia trabalhar a música como forma de terapia para as crianças que tenham alguma deficiência e também em hospitais. Tudo isso em forma de ação social.”

“Quem quiser adquirir o meu cd, posso enviar por sedex quem não for da minha cidade, é só me mandar email dizendo quantos quer e qual a cidade que devo mandar =) belladona_violinista@hotmail.com

“Acho que é isso. Espero que tenham gostado! =)”

Belle Soares.

Belle, em um bar na Praia do Jacaré, em apresentação.

Belle, em um bar na Praia do Jacaré, em apresentação.

Izi, BELLE e eu em uma de suas apresentações na Praia do Jacaré.

Izi, BELLE e eu em uma de suas apresentações na Praia do Jacaré.

Belle Soares - Praia do Jacaré.

Belle Soares - Praia do Jacaré.

CD da violinista Belle Soares.

CD da violinista Belle Soares.

No estúdio, gravando seu primeiro CD.

No estúdio, gravando seu primeiro CD.

Confira algumas apresentações da Belle acessando os links a seguir:


http://www.youtube.com/watch?v=21JRAt8HlaU

http://www.youtube.com/watch?v=hXWvaw8QXnI

http://www.youtube.com/watch?v=6pIIJGecHTM

http://www.youtube.com/watch?v=z7W2BNnbwfQ

http://www.youtube.com/watch?v=e5ZtVbwIWp0

E com muito orgulho apresento-lhes: CLÓVIS JÚNIOR!

Criador e criatura. Clóvis Júnior e sua obra.

Criador e criatura. Clóvis Júnior e sua obra.

Clóvis Junior, Guarabirense radicado em João Pessoa.

Clóvis Junior, Guarabirense radicado em João Pessoa.

Clóvis Júnior nasceu na cidade de Guarabira – PB, meu conterrâneo, radicado em João Pessoa, onde veio morar desde os 17 anos de idade. O artista trabalha com pinturas, esculturas e gravuras. Sua primeira participação como artista plástico foi no ano de 1983, aos 18 anos de idade. Em 1985, ingressa no curso de educação artística – UFPB. Faz curso de gravura, Prof. Hermano José, UFPB.

Clóvis Júnior nasceu na cidade de Guarabira – PB, radicado em João Pessoa, onde veio morar desde os 17 anos de idade. O artista trabalha com pinturas, esculturas e gravuras. Sua primeira participação como artista plástico foi no ano de 1983, aos 18 anos de idade. Em 1985, ingressa no curso de educação artística – UFPB. Faz curso de gravura, Prof. Hermano José, UFPB.

Dono de muitos prêmios, Clóvis Júnior se destaca com premiações de 1° lugar em diversos concursos pela ONU em 1993. Contando no seu currículo com 35 exposições individuais no Brasil e no mundo e mais de 50 exposições coletivas e salões. Há outra série de exposições coletivas e participações na Bienal Naifs do Brasil, em São Paulo; Exposição Bikoo-kem(Eco 92), no Rio de Janeiro. Para nosso orgulho, Clóvis está entre nós, criando e se inspirando na Paraíba, mas já se tornou um fenômeno nacional. De 1983 até hoje, soma em seu currículo uma lista de 16 exposições internacionais, destacando-se trabalhos realizados na Flórida, Nova York, Washington, Ovar, Paris, Buenos Aires, Alemanha, Itália, Londres, entre outras. Hoje, o artista tem trabalhos publicados em livros importantes como “Brazilian Knotd – Embaixada do Brasil – Londres”; “Brasilian Art – São Paulo”; participou de vários livros de Bienal Naifs do Brasil; “XXVIII Anuário do Clube da Criação de São Paulo”; “10 Anos do Centro Cultural Correios – Rio de Janeiro”.

Dono de muitos prêmios, Clóvis Júnior se destaca com premiações de 1° lugar em diversos concursos pela ONU em 1993. Contando no seu currículo com 35 exposições individuais no Brasil e no mundo e mais de 50 exposições coletivas e salões. Há outra série de exposições coletivas e participações na Bienal Naifs do Brasil, em São Paulo; Exposição Bikoo-kem(Eco 92), no Rio de Janeiro. Para nosso orgulho, Clóvis está entre nós, criando e se inspirando na Paraíba, mas já se tornou um fenômeno nacional. De 1983 até hoje, soma em seu currículo uma lista de 16 exposições internacionais, destacando-se trabalhos realizados na Flórida, Nova York, Washington, Ovar, Paris, Buenos Aires, Alemanha, Itália, Londres, entre outras. Hoje, o artista tem trabalhos publicados em livros importantes como “Brazilian Knotd – Embaixada do Brasil – Londres”; “Brasilian Art – São Paulo”; participou de vários livros de Bienal Naifs do Brasil; “XXVIII Anuário do Clube da Criação de São Paulo”; “10 Anos do Centro Cultural Correios – Rio de Janeiro”.

FONTE: www.clovisjunior.com.br


Prêmios e Salões

  • 2008: Comenda “Gente que faz a nossa Paraíba”, Guarabira, PB.
  • 2008: Medalha Honorífica Osmar de Araújo Aquino, Guarabira,PB.
  • 2007: Medalha Augusto dos Anjos, Assembléia Legislativa da Paraíba, João Pessoa, PB.
  • 2006: Participação do Livro Artistas Brasileiros, Senado Federal, Brasília, DF.
  • 2006: Título de Cidadão Pessoense, João Pessoa, PB.
  • 2006: Bienal Naïfs do Brasil, São Paulo, SP.
  • 2005: Participação do Livro Brazilian Art, São Paulo, SP.
  • 2005: Artista paraibano selecionado para compor Calendário 2005, CHESF, João Pessoa, PB.
  • 2004: Bienal Naïfs do Brasil, São Paulo, SP.
  • 2004: III Bienal Internacional de Gravuras, Jundiaí, SP.
  • 2003: XXVIII Anuário do Clube de Criação de São Paulo, SP.
  • 2003: 10 anos do Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, RJ.
  • 2000: XV Noite da Cultura da Paraíba, Menção Honrosa, João Pessoa, PB.
  • 2000: V Bienal Naïfs do Brasil, São Paulo, SP.
  • 1997: Lendas e Crenças: Mostra Itinerante de Arte de São Paulo, SP.
  • 1996: Bienal Naïfs do Brasil, Piracicaba, SP.
  • 1996: 1° Salão Mercosul de Arte Sacra, Grande Menção Honrosa, Buenos Aires, Argentina.
  • 1996: Troféu Paraíba Artista Plástico do Ano, João Pessoa, PB.
  • 1993: 1° Lugar no Concurso Nacional de Cartazes Contra as Drogas, Promovido pela ONU, Brasília, DF.
  • 1992: Mostra Internacional de Arte Ingênua e Primitiva, Menção Honrosa, Piracicaba, SP.
  • 1990: 3° Lugar no Concurso Listel/Telpa, Catálogo Telefônico da Paraíba, PB.
  • 1987: 1° Lugar no Concurso Listel/Telpa, Catálogo Telefônico da Paraíba, PB.
  • 1986: Salão Cenas da Cultura Popular, Piracicaba, SP.
  • 1985: A Presença do Mar nas Artes Plásticas, Galeria Pedro Américo, João Pessoa, PB.
  • 1985: Prêmio Aquisição Salão São João, Galeria Pedro Américo João Pessoa, PB.
  • 1985: VI Salão Municipal de Artes Plásticas, (artista convidado), João Pessoa, PB.
  • 1983: XXXVI Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, Recife.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Clóvis_Júnior

Obra do artista plástico Clóvis Junior.

Obra do artista plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

Obra do artista Plástico Clóvis Junior.

A entrevista a seguir foi  retirada do site:  www.brazilianartists.net :

Londres fica mais colorida neste verão

A arte de Clóvis Júnior arde e encanta brasileiros apaixonados por sua terra natal.

Por Georgia Martins*

O suspiro alto e a alegre surpresa foram minhas primeiras reações ao ver o colorido dos quadros de Clóvis Júnior na Galeria 32 da Embaixada Brasileira em Londres. Artista plástico há 20 anos, o poeta das telas Clóvis Júnior nos recebe com a mesma beleza e simplicidade que vemos em seus quadros. Seguidor e expoente brasileiro da arte naïf, acostumou-se a fazer exposições internacionais, principalmente após ter recebido o primeiro prêmio no Concurso Nacional de Cartazes promovido pela ONU em 1993, tendo seu trabalho divulgado em mais de 150 países. Suas últimas exposições passaram por Portugal, Alemanha, Milão, Nova Iorque, Paris, entre outros. Em Londres, apresenta até o dia 26 de junho a exposição Magic Paintings, seguindo depois para a Embaixada do Brasil em Berlim.

A explosão de cores característica de seu trabalho retrata, como ele mesmo define, um Cordel colorido. Paraibano e morador de João Pessoa, tem muito a mostrar sobre nossa cultura nordestina.

A cultura naïf tem origem na França pelos pincéis de Russeau, que registra então as primeiras marcas de uma arte ingênua, primitiva, natural, como é definida. Pintar a fauna, o meio ambiente e o folclore, com incursões sociais no meio do caminho também são traços marcantes da pintura naïf.

Leia abaixo entrevista exclusiva concedida por Clóvis Júnior ao www.BrazilianArtists.net para o jornal Brazilian News.

BA: Há uma citação de Jorge Amado sobre a pintura naïf em que ele disse o seguinte: “Sou daqueles que acham que a única pintura brasileira que possui caráter realmente nacional e se expressa numa corrente de nossa cultura mestiça é a pintura naïf, ingênua, primitiva – cada um escolha a designação que lhe pareça melhor”.

Depois do pai da palavra nordestina eu quero saber de você. A arte naïf não é uma arte de origem brasileira mas podemos dizer ser a mais brasileira das artes?

Clóvis: Eu considero a mais brasileira das artes por que a gente vê a nossa cultura nela. A pintura naïf representa muito bem os nossos povos, nossos costumes, nossas festas folcloricas, quer dizer, tem uma identidade e força muito grande por que representa diretamente os movimentos que acontecem no país e o pintor é um repórter clássico, ele reproduz aquilo que vê pras pessoas poderem ver tambem.

BA: Podemos dizer então que é uma arte popular com tendências folclóricas. Voce acredita que essa é uma característica da pintura naïf em geral ou pintar o folclore é uma contribuição essencialmente brasileira nesse estilo de arte?

Clóvis: O folclore é uma fonte de inspiração tamém para a pintura naïf, não que ele seja obrigado a pintar somente isso, a arte naïf é livre. Eu por exemplo prefiro pintar o lado bom da vida, a alegria, a harmonia, o bem estar do ser humano. De violência já basta o que a gente vê na televisão. Claro que o artista pode mostrar o que quiser mas eu prefiro pintar o lado bom da vida, acho que o espírito é esse.

BA: E a questão da crítica social percebida em seus quadros, como você a retrata?

Clóvis: Pintei uma vez um dragão caindo no Congresso em Brasilia e um político da minha cidade quando viu o quadro ficou chocado por que ele não entendeu a mensagem e nem eu quis dizer a ele o que era. A mensagem está no que você pensa, né? Um outra vez pintei um quadro do bando de Lampião chegando no Congresso com os políticos corruptos atrás.O quadro não era assim agressivo mas tinha também uma mensagem política que não é direta, ela é surrealista. Meu trabalho tem muito disso, esse surrealismo, essa coisa meio fantástica, de ilusão, do imaginário. Não estou diretamente ligado à pintura tradicional naïf de pessoas do interior, gosto de trabalhar com o surrealismo de quebrar as figuras também. Por exemplo, criei uma vez um Lampião montado em um cavalo marinho. Se eu tivesse feito um cavalo comum seria mais um pintado, mas eu fiz ele vir em uma outra forma, em uma outra roupagem. Na minha imaginação ele foi à Brasilia assim, com uma festa grande atrás dele.

BA:O historiador brasileiro Jose Pierre afirma que o artista naïf se mantém sempre como um “primitivo de épocas futuras”. Voce concorda? Qual o futuro da pintura naïf brasileira?

Clóvis: O brasileiro ao longo do tempo foi tão colonizado, globalizado que a nossa auto-estima era muito pouca, só via o outro lado, nunca valorizava os artistas da terra. A pintura naïf também sofreu muito isso, essa rejeição por ser uma pintura simples que não seguia um padrão de qualidade acadêmica. Eu, por exemplo, no começo sofri muitas críticas por alguns artistas de outras escolas por ser um pintor primitivo mas mesmo assim eu segui em frente e hoje estou aqui, fazendo o meu trabalho, o resultado está aqui. Assim como em todas as outras tendências artísticas, sempre vai haver uma pessoa pra dar continuidade. A pintura naif não tem moda, passa tudo na frente dela e ela segue caminhando com sua característica particular. Não importa em que época estamos, ela é natural, tem seu lugar certo na arte.

BA:Os brasileiros que visitam sua exposição conseguem identificar todo um significado social retratado em seu quadros por que estes são aspectos de nossa cultura. E os europeus, como reagem ao seu trabalho?

Clóvis: Infelizmente o europeu na maioria das vezes tem mais olhos pra nossa pintura que os próprios brasileiros. É engracado que quando eles vêem meu trabalho, tem apenas uma noção do que é o Brasil, eles vêem que o Brasil é um pais que ainda está por ser descoberto, não sabem a potência que o país tem, da alegria de um povo que independente de crise está sempre com sorriso na boca, não precisa ser rico ou pobre pra ser alegre. Certa vez estava com uma exposição em Buenos Aires e uma pessoa me perguntou: ‘Por que vocês só vivem sorrindo se ganham tão pouco?’ Eu tomei um choque com aquela pergunta. Na época a Argentina estava bem e aí eu disse ‘mas por que vocês ganham tão bem e são todos tão tristes?’

BA: Percebi que você tem umas xilogravuras expostas também. Tem aí uma influência de Cordel?

Clóvis: Esses quadros na verdade são cordéis coloridos, os traços da xilogravura estão todos aí, é puro cordel. A arte no cordel nasceu pela necessidade de se expressar, é outro movimento da pintura junto com a poesia. Eu faço a xilogravura também, que é assim um trabalho muito particular, é como se fosse uma mágica. Você com um papel, estilete, um lápis, um cartão e pronto, ja fez uma xilogravura, que é mágica pela sua simplicidade. O bom da xilogravura pro meu trabalho é que ele quebra o colorido.

BA: O tema da sua exposição é “Pinturas Mágicas”. Mágicas por que?

Clóvis: Porque você pode criar a mágica em cima de cada quadro. Eu posso dizer que esse quadro é isso e você imagina de outra forma, ele dá essa possibilidade de você viajar, de também fazer parte dele. Aí que está a magia da pintura dos meus quadros, deixar as pessoas à vontade com eles.

A exposição aconteceu dias 10 a 26 de junho de 2004 na Galeria 32, Embaixada do Brasil em Londres.

* Geogia Martins é poeta e estudante do curso de jornalismo da PUC-SP. Atualmente vivendo em Londres, ela participa do movimento www.BrazilianArtists.net.

FONTE: http://www.brazilianartists.net/profiles/clovisrossi/interview_portuguese.htm