Esse dia.
As pessoas parecem não mais quererem ser queridas, fazem questão de ser desagradáveis e cultivar sentimentos indesejáveis. Vê-se as inverdades, os jogos de máscara, as situações contraditórias, e aí se vão as verdadeiras oportunidades de ganhar irmãos. Não há mais em quem confiar, não há mais onde depositar toda essência verídica do ser humano, as trocas de verdades e brincadeiras pueris. Estará extinta, também, a palavra e acepção AMIGO?
Restou-se de verdadeiros, puros e verdadeiros, apenas os elos e laços viscerais. Há as negligências, os que negligenciam as manifestações de amizade e findam por perdê-la sem nenhum pudor ou prejuízo, pois amanhã virá outra, e depois mais outra, e lá se vai mais outra.
Antes, bem antes, se era amigo com a alma, com toda alma para que houvesse sempre lealdade, sinceridade, afinidade, cumplicidade, simplicidade, fraternidade. Hoje, bem hoje, é-se amigo com a matéria, agi-se sempre de acordo com conveniências, interesses e hipocrisias. Não existem mais os espelhos, se enxerga mais o outro do que a si próprio. Não há autocrítica, não há reflexão das atitudes imbecis. Reter na memória a infância é um bom exercício para se manter menos imundo, pois em alguma hora contaminar-se-á com tais pessoas.
Deve-se resguardar os “melhores relacionamentos”, reprimir as frequentes censuras, tentar bastar-se e manter intactos, cordialmente, aqueles poucos que ainda nos resta.
