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LIBERTINAGEM
(Manuel Bandeira)
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“Libertinagem contém os poemas que escrevi de 1924 a 1930 – os anos de maior força e calor do movimento modernista. Não admira pois que seja entre os meus livros o que está mais dentro da técnica e da estética do modernismo”. (Manuel Bandeira)
SÍNTESE
1. Obra publicada em 1930, Libertinagem é composta por trinta e oito poemas. Embora comporte características da primeira geração modernista, como o humor, os versos livres e brancos, a linguagem mais coloquial e o cotidiano, o toque especial do poeta faz-se presente em todos os poemas: a simplicidade, responsável pelo refinamento da obra.
2. Libertinagem é, portanto, a novidade, o erotismo, a musicalidade, a força de imagens, o cunho biográfico, a paixão pela vida e a visão da morte, a infância, a pureza, a crítica, a liberdade, a saudade, o amor, a alegria, a tristeza, a evasão, a solidão.
CARACTERÍSTICAS DA OBRA:
01. Recusa da poesia comedida. Bandeira não emprega nenhuma métrica padrão. Rejeição aos padrões literários vigentes.
02. Cultivou as formas fixas do Parnasianismo e também fez experiências com o Concretismo.
03. Sua poesia assemelha-se a uma espécie de diário íntimo em que os acontecimentos do mundo se refletem nas imagens da vida íntima e pessoal, como se a expressão poética resultasse da soma entre a confidência e a notação exterior, a contemplação da realidade.
04. Reveste seus poemas de um tom irônico e, tantas vezes, amargo.
05. Poesia Confessional – apresentação de vultos familiares, brincadeiras e festas de ruas, cenas que ficaram na memória do poeta como mágicos.
06. A morte – a morte é tratada com ironia e humor negro (Poema – Piada).
07. O Lirismo romântico- grande subjetividade onde o poeta demonstra um neo-romantismo.
08. Metalinguagem.
09. A Evasão – cria um mundo paralelo à realidade, onde os desejos e as fantasias são realizados.
10. A solidariedade e religião –
Como elemento da cultura brasileira, o catolicismo se apresenta fazendo menção:
À festas e cerimônias do calendário religioso: “Profundamente”; “Poema de finados” ;
Na referência a figuras do imaginário católico: O Anjo da guarda”;
Na paródia de preces : “Oração do saco de Mangaratiba”; “Oração a “Teresinha do menino Jesus”
Citações bíblicas: “ Teresa”
Há sempre uma certa ironia na reações entre o poeta e a fé católica.
TEXTOS:
01) Porquinho-da-Índia – Poema de tom narrativo e memorialista. Destaca a pureza, a inocência de uma criança que dedica todo seu afeto a um bicho de estimação. O toque de humor fica por conta do verso final, espécie de conclusão em que se introduz a fala do eu lírico. Epifania.
02) Teresa – Poema-paródia do texto lírico de Castro Alves chamado O “adeus” de Teresa. Antilírico, o poeta revela distância da idealização, confirmando, na última estrofe, a presença das transformações seja no plano físico, seja no sentimental.
O texto de Castro Alves é uma exaltação à beleza e ao erotismo da mulher amada, contudo, a última estrofe revela traição:
“A vez primeira que eu fitei Teresa
Como as plantas que arrasta a correnteza
A valsa nos levou nos gritos seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…
E ela, corando, murmurou-me: “adeus!”
(Castro Alves)
“A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.”
(Manuel Bandeira)
03) Madrigal tão engraçadinho – “Madrigal” é uma pequena composição poética. O lirismo amoroso surge do ponto de vista de uma criança que exalta o ser amado, porém por meio de uma comparação inusitada: o porquinho-da-Índia.
O grande momento do poema está nessa comparação, porque ela é sinônimo de sinceridade e alto valor.
04) A Virgem Maria – As figuras que aparecem na primeira estrofe revelam a realidade opressora e a morte se pronunciando. Ansiedade, ira e hipocrisia compõem o quadro do enterro até que, em oposição à escuridão e à morte, surge a imagem da Virgem Maria da qual o poeta só ouve a voz dizendo-lhe que “fazia sol lá fora”. É a vida, a liberdade.
05) Oração no Saco de Mangaratiba – O pedido do poeta a Nossa Senhora se dá em Mangaratiba, no Rio de Janeiro, e refere-se à vida. Enfadado, opõe a morte que o espreita, à vida que, apesar de comprida, lhe parece tão mal cumprida. Mistura duas variedades lingüísticas: escrita culta e uma modalidade da língua oral-popular. Versos eneassílabos.
“Nossa Senhora me dê paciência
Para estes mares para essa vida!
Me dê paciência pra que eu não caia
Pra que eu não pare nesta existência
Tão mal cumprida tão mais comprida
Do que a restinga de Marambaia!…”
06) Poema tirado de uma notícia de jornal – A morte é o grande tema. Trata-se de uma notícia de jornal sobre a morte de mais um favelado. A miséria anônima e irônica (vem do alto, no morro da Babilônia, como o jardim suspenso da Babilônia) desce e chega à Lagoa Rodrigo de Freitas (lugar da classe alta no Rio de Janeiro). O drama e o elemento narrativo unem-se ao ritmo: versos longos na introdução e no desfecho. Versos curtos, dissílabos quando se trata do prazer.
“João Gostoso era carregador da feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no Bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.”
07) Andorinha – A vida, simbolizada pelo pássaro, é o exterior, o mundo, o cotidiano, todas as “coisas” que contrastam com o sofrimento, a tristeza do poeta que constata: não pôde viver o que queria, passou a vida à toa e, agora, só a morte o aguarda.
08) Evocação do Recife – A subjetividade, o memorialismo, a infância, o folclore e a cultura popular caracterizam esse famoso poema de Manuel Bandeira.
. O eu lírico revive cenas do passado, como se fosse menino outra vez.
. Surgem pessoas com as quais conviveu: parentes, vizinhos, amigos. Até os nomes das ruas eram líricos: Rua da União, do Sol, da Aurora.
. A morte reforça que a cidade de Recife de seu passado fora-se como seu avô, restou-lhe apenas a memória.
“Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
— Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância”
09) Não sei dançar – Poema que abre o livro Libertinagem e traz elementos típicos da primeira geração modernista: os versos livres e brancos, aproximação do surrealismo, referência ao carnaval e à mistura de raças, às doenças “tropicais” e à crítica irônica à indiferença. Os prazeres escapistas acenam para o poeta.
10) O major – como apregoavam os modernistas, a poesia nasce a qualquer momento, é concebida pelo encontro com situações mais diversas do cotidiano. A beleza se esconde nos fatos mais banais, a ternura está nas coisas mais simples.
“O major morreu.
Reformado.
Veterano da Guerra do Paraguai.
Herói da ponte do Itororó.
Não quis honras militares.
Não quis discursos.”
11) Pneumotórax – Refere-se à doença de Manuel Bandeira – a tuberculose. A morte, novamente em evidência, é tratada em tom jocoso da primeira geração modernista: humor negro, coloquialismos, auto-ironia, além da técnica de marcação teatral com o emprego do diálogo.
“Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
…………………………………………………………………………………
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”
12) Irene no Céu - Embora o poema refira-se à imagem de uma pessoa querida pelo poeta, presente em sua infância, Irene representa também a mulher escrava, submissa, inferiorizada. O poeta sutilmente opõe a relação branco e negro na segunda estrofe, onde Irene pede licença a São Pedro, chamando-o de meu branco.
“Há ainda a exaltação à linguagem coloquial. A fala de São Pedro ordena: “- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.” Na linguagem normativa, o correto seria conservar o tu ou empregar o verbo na 3ª pessoa do singular. Assim, teríamos:
- Entra, Irene. Tu não precisas pedir licença
- Entre, Irene. Você não precisa pedir licença “
13) Vou-me Embora Pra Pasárgada - Nesse poema, Bandeira busca a utopia, a evasão, o lugar onde possa realizar-se, onde fuja da morte, onde se mesclem os elementos reais e o nonsense, onde a doença não será empecilho porque simplesmente não existirá, onde a infância será revivida e os homens e mulheres que participaram de sua vida, presentes, representados por Rosa.
“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.”
14) Poema de Finados – A morte a autocomiseração. Na primeira estrofe, o poeta dirige-se a um interlocutor – tu – refere-se a cemitério e à sepultura do pai; na segunda, ao ritual de se colocar flores na sepultura e orar. Na terceira estrofe, a explicação: o sofrimento, a amargura, já não há mais nada. Sente-se um morto vivo. Versos octossílabos
“Amanhã quem é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.”
15) Poética – Espécie de plataforma teórica da poesia modernista, Poética é um texto de propostas e críticas. Propostas modernistas e críticas ao tradicionalismo, representado pela estética parnasiana. Propõe a liberdade de expressão, a autenticidade, rompendo com o parnasiano tanto no plano do significante quanto do significado. Trata-se, portanto, de um poema metalingüístico.
“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
[...]
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”
16) Lenda brasileira – Trabalha mitologia, a epifania, o humor e evasão.
“A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara : o que saiu do mato foi o veado Branco! Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde.
- Deus me perdoe!
Mas o Cussarim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.”
17) Macumba do Pai Zusé – Evasão, morte e aspectos do Brasil.
“Na macumba do Encantado
Nego véio pai de santo fez mandinga
No palacete de Botafogo
Sangue de branca virou água
Foram vê estava morta!”
18) Camelôs – A poesia do cotidiano, evasão e evocação da infância.
“Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão:
O que vende balõezinhos de cor
O macaquinho que trepa no coqueiro
O cachorrinho que bate com o rabo
Os homenzinhos que jogam boxe
A perereca verde que de repente dá um pulo que engraçado
E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa alguma.”
19) O cacto – A poesia do cotidiano, metalinguagem e reflexão. Envolve conceitos e conhecimentos da história da arte e da mitologia, até se envolver na dura realidade do seco Nordeste, evocado a partir de sua árvore-símbolo.
“Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas
[privou a cidade de iluminação e energia:
- Era belo, áspero, intratável.”
20) Comentário musical – A poesia do cotidiano e epifania.
“O meu quarto de dormir a cavaleiro da entrada da barra.
Entram por ele dentro
Os ares oceânicos,
Maresias atlânticas:
São Paulo de Luanda, Figueira da Foz, praias gaélicas da Irlanda…”
21) Pensão familiar – Paródia da linguagem jornalística. Denúncia da insensibilidade da imprensa. Fatos são narrados de forma impessoal. Linguagem seca, sintética e referencial.
“Jardim da pensãozinha burguesa.
Gatos espapaçados ao sol.
A tiririca sitia os canteiros chatos.
O sol acaba de crestar as boninas que murcharam.
Os girassóis
amarelos!
resistem.”
22) Namorados – Coloquialismo, ironia e bom humor.
“O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta
listada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando…
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.”
23) Profundamente – o poeta confunde os tempos em função da emotividade. Aí surgem os avós, a saudade do passado identificada pelas vozes de um tempo remoto, encarcerados na memória dos seus seis anos. Dessa evocação surgem personagens como Totônio Rodrigues, Rosa, Tomásia.
“Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.”
24) Palinódia – É uma retratação poética. Algo que foi dito no passado é retificado no presente. Epifania, ludismo e experimentalismo.
“Quem te chamara prima
Arruinaria em mim o conceito
De teogonias velhíssimas
Todavia viscerais.
Hoje em verdade te digo
Que não és prima só
Senão prima de prima
Prima-dona de prima
- Primeva.”
- Teogonia – gênese dos deuses (universo mitológico grego)
- Primeva – retorno a tempos primordiais.
25) O impossível carinho – metalinguagem, evasão, lirismo e evocação da infância.
“Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
Eu soubesse repor –
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!”
26) Mulheres – A poesia do cotidiano, evocação da infância e leve erotismo.
“Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido…
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.”
27) O último poema – a caracterização autobiográfica é conduzida para recordações da infância, sempre tratada com melancólica proximidade; são relatadas as reminiscências mais longínquas do poeta, que refletem a amargura de perceber-se contemplando o final de uma vida poética:
“Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
28) O anjo da guarda – Singela homenagem que o poeta faz à irmã morta. Memorialismo, lirismo e evasão.
“Quando minha irmã morreu,
(Devia ter sido assim)
Um anjo moreno, violento e bom,
- brasileiro.
Veio ficar ao pé de mim.
O meu anjo da guarda sorriu
E voltou pra junto do Senhor.”
29) Chambre vide – A poesia do cotidiano e reflexão.
“Petit chat blanc et gris
Reste encore dans la chambre
La nuit est si noire dehors
Et le silence pèse.”
30) Bonheur Lyrique – Autobiografia, melancolia e lirismo.
“Coeur de phtisique
O mon coeur lyrique
Ton bonheur ne peut pas être comme celui des autres
Il faut que tu te fabriques”
31) Mangue - traços da piedade Cristã mesclados à religião afro-brasileiras “Mangue”.
“Mangue mais Veneza americana do que o Recife
Cargueiros atracados nas docas do Canal Grande
O Morro do Pinto morre de espanto
Trapiches alfandegados
Catraias de abacaxis e de bananas
Há macumbas no piche
Eh cagira mia pai
Eh cagira
E o luar é uma coisa só”
32) Belém do Pará – Memorialismo, lirismo e exaltação da pátria.
“Bembelelém
Viva Belém!
Belém do Pará porto moderno integrado na equatorial
Beleza eterna da paisagem
Bembelelém
Viva Belém!
33) Cunhantã – A poesia do cotidiano, lirismo e aspectos do Brasil.
“Vinha do Pará.
Chamava Siquê.
Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.
Piá branca nenhuma corria mais do que ela.”
34) Cabedelo – Evasão, melancolia, lirismo e intertextualidade.
“Viagem à roda do mundo
Numa casquinha de noz:
Estive em Cabedelo.
O macaco me ofereceu cocos.”
35) Noturno da rua da Lapa – Autobiografia, melancolia, epifania e experimentalismo.
“A janela estava aberta. Para o que não sei, mas o que entrava era o vento dos lupanares, de mistura com o eco que se partia nas curvas cicloidais, e fragmentos do hino da bandeira.
Não posso atinar no que eu fazia: se meditava, se morria de espanto ou se vinha de muito longe.”
36) Na boca – Autobiografia e pessimismo.
“Sempre tristíssimas estas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer”.
37) Noturno da parada Amorim – Epifania e evasão.
“O violoncelista estava a meio do Converto de Schumann
Subitamente o coronel ficou transportado e começou a gritar:
- Je vois des anges! Je vois des anges!
- E deixou-se escorregar sentado pela escada abaixo.”
38) Oração a Teresinha do menino Jesus – Autobiografia, melancolia e evasão.
“Perdi o jeito de sofrer.
Ora essa.
Não sinto mais aquele gosto cabotino da tristeza.
Quero alegria! Me dá alegria,
Santa Teresa!
Santa Teresa não, Teresinha…
Teresinha… Teresinha…
Teresinha do Menino Jesus.”